Presidente do Sindicerv defende coerência técnica e equilíbrio regulatório no debate sobre imposto seletivo

Imagem: Sindicerv

O presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja, Márcio Maciel, defendeu a necessidade de coerência técnica e equilíbrio regulatório na definição das alíquotas do Imposto Seletivo, no âmbito da regulamentação da reforma tributária.

Em artigo publicado no site do Estadão em 1º/4, ele destaca que a reforma foi concebida para corrigir distorções históricas do sistema tributário brasileiro e alerta que o novo imposto não deve gerar efeitos contrários a esse objetivo.

Segundo Márcio Maciel, o princípio da neutralidade — um dos pilares da reforma — precisa ser preservado para garantir segurança jurídica, previsibilidade e estabilidade econômica, evitando aumento de carga tributária para setores específicos.

Maciel ressalta ainda a relevância econômica da indústria cervejeira no Brasil, responsável por significativa arrecadação tributária, geração de empregos e participação no Produto Interno Bruto (PIB), além de sua capilaridade em centenas de municípios e integração com diversas cadeias produtivas.

O presidente-executivo também defende que a regulamentação do Imposto Seletivo adote critérios técnicos consistentes, como a tributação progressiva de acordo com o teor alcoólico — prática já existente no modelo atual e respaldada por diretrizes internacionais.

Outro ponto destacado é o crescimento do mercado de bebidas com menor teor alcoólico e versões zero álcool, movimento que pode ser incentivado por uma estrutura tributária equilibrada.

Para Márcio Maciel, políticas públicas bem desenhadas podem contribuir para ampliar as opções ao consumidor sem comprometer a sustentabilidade de cadeias produtivas relevantes para a economia nacional.

O artigo também chama atenção para os impactos diretos que a definição das alíquotas pode ter sobre investimentos, planejamento industrial e competitividade do setor. Nos últimos anos, a indústria cervejeira realizou investimentos bilionários no país, reforçando seu papel na geração de emprego, renda e arrecadação.

Por fim, o presidente defende o envio célere do projeto de regulamentação ao Congresso Nacional, de modo a garantir tempo adequado para discussão de um tema considerado estratégico para o desenvolvimento econômico.

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Sindicerv destaca posição da OMS em audiência pública sobre imposto seletivo

“Taxar o álcool com base no teor alcoólico é eficaz na redução dos riscos à saúde relacionados ao álcool, desencorajando o consumo excessivo, especialmente de bebidas com alto teor alcoólico.” Foi mencionando esse trecho de ofício da Organização Mundial de Saúde (OMS) que o presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, encerrou a participação do setor nas discussões sobre o imposto seletivo na Comissão de Cidadania e Justiça (CCJ) do Senado Federal. A audiência pública ocorreu na segunda-feira (25/11). O documento do órgão máximo de saúde foi enviado recentemente à Comissão de Assuntos Sociais da Casa em resposta a um requerimento da senadora Mara Gabrilli.

Maciel demostrou aos presentes que a taxação por teor alcoólico está alinhada às melhores práticas internacionais e que aderir a esse modelo colocará o Brasil lado a lado com países cujo sistema tributário está na vanguarda. Alemanha, França, Russia, Jamaica e África do Sul são cases de sucesso da adoção da taxação progressiva. “Deu certo lá fora, vamos fazer dar certo aqui também”, afirmou o presidente-executivo do Sindicerv.

O sindicato acompanha a tramitação da reforma tributária desde o início dos debates. Na Câmara dos Deputados, também participou de audiência pública para defender as principais bandeiras do setor cervejeiro: taxação progressiva, de acordo com o teor alcoólico; transição neutra, sem aumento de carga; e tratamento especial para os pequenos produtores, independentemente da bebida produzida, com escalonamento do imposto seletivo de acordo com o volume total produzido. “Apoiamos uma reforma que seja neutra, simplifique e promova crescimento”, resumiu Márcio Maciel.

Encerradas as audiências públicas, o texto de regulamentação da reforma tributária vai a discussão e votação na CCJ e no Plenário da Casa. Na sequência, volta à Câmara para nova análise, caso haja alterações no texto aprovado em Plenário em julho.

Artigo: Imposto seletivo com diferenciação é essencial para reduzir o uso nocivo do álcool

Márcio Maciel e Justin Kissinger (*)

Em todo o mundo, os responsáveis pela formulação de políticas públicas têm como um dos objetivos a redução do uso nocivo do álcool – uma meta vital, com a qual a indústria cervejeira também concorda. Uma ferramenta de que os governos dispõem para atingir essa meta é o imposto seletivo.

No entanto, a maneira como essa ferramenta é usada pode fomentar ou sabotar estratégias de redução de danos. Quando estratégias políticas, como taxas de imposto seletivo e controles sobre disponibilidade e marketing, são ajustadas de acordo com o tipo e a concentração da bebida, a produção e o consumo de bebidas com menor teor alcoólico são incentivados, o que pode ajudar a reduzir os danos relacionados ao álcool à população.

Esse resultado vem de um fenômeno chamado “efeito de substituição”, quando os consumidores que optam por beber álcool substituem produtos com maior teor alcoólico por opções com menor teor alcoólico. Esse efeito pode se dar pela troca de bebida destilada por cerveja ou, ainda, de uma cerveja com teor alcoólico normal por uma com menor teor alcoólico ou sem álcool. Quando esse efeito de substituição acontece, o consumo geral de etanol diminui, e vários indicadores de saúde pública melhoram.

Isso não é apenas uma teoria, mas um fenômeno observado empiricamente. Em 2019, a Organização Mundial de Saúde (OMS) relatou uma mudança bem-sucedida para o consumo de bebidas com teor alcoólico mais baixo na Rússia e como essa mudança implicou uma melhoria relacionada à saúde pública daquele país. Além disso, a OMS observou que mudanças para consumo “de bebidas alcoólicas mais leves” nos países nórdicos e do Leste Europeu “levaram a resultados favoráveis em danos atribuíveis ao álcool”.

Pesquisas recentes no Reino Unido e na Espanha sugerem que a disponibilidade de cervejas com teor alcoólico mais baixo ou sem teor alcoólico levou os consumidores a substituírem parte do consumo de cerveja regular por alternativas com teor alcoólico mais baixo, resultando em menos álcool consumido no geral.

Embora o imposto seletivo possa ser cobrado com base no valor do produto, volume de líquido ou teor alcoólico, a tributação com base no tipo de bebida e teor alcoólico é a melhor maneira de promover o efeito de substituição. Essa estrutura tributária baseada em evidências desencoraja a produção e o consumo de bebidas com alto teor alcoólico e incentiva a produção e o consumo de opções com baixo teor alcoólico.

A OMS concorda. Em um relatório sobre preços na região europeia, a OMS explicou: “A abordagem mais eficaz para a tributação com vistas a melhorar a saúde pública e reduzir esse dano é tributar o volume de álcool por meio de um sistema específico de tributação. Esse sistema pode ser mais eficaz para melhorar a saúde se tiver taxas de tributação mais altas para produtos mais fortes por dois motivos: primeiro, os bebedores podem consumir um volume maior de álcool mais rapidamente por meio de produtos mais fortes; e, segundo, os custos de produção e distribuição podem ser menores, pelo

menos em alguns casos, para produtos mais fortes, o que significa que o mesmo volume de álcool pode ser vendido mais barato em produtos com maior teor alcoólico, mesmo com a mesma taxa de imposto específico”.

É uma prática comum, na maioria dos países mais avançados no tema, tributar de acordo com o tipo e a concentração da bebida. Mais de 40 países usam esse modelo, incluindo México, Alemanha e Estados Unidos.

A maioria dos membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aplica uma taxa de imposto seletivo mais baixa à cerveja do que às bebidas destiladas, e muitos reduziram progressivamente as taxas para cervejas com baixo teor alcoólico ou sem álcool.

No ano passado, o Reino Unido reformou sua estrutura de impostos sobre o álcool para torná-la mais simples e economicamente racional. Sob o novo sistema, todas as categorias são tributadas com base na concentração do álcool, com produtos com maior concentração pagando mais impostos por unidade de álcool do que produtos com menor concentração.

O então chanceler Rishi Sunak resumiu as mudanças: “Nosso novo sistema será projetado em torno de um princípio de senso comum: quanto mais forte a bebida, maior a taxa. Essa é a coisa certa a fazer, e ajudará a acabar com a era de bebidas baratas e de alto teor alcoólico que podem prejudicar a saúde pública e permitir o consumo problemático de álcool”.

O Brasil está atualmente trabalhando na regulamentação de uma importante reforma tributária, que engloba os impostos sobre as bebidas alcoólicas. É crucial que os parlamentares brasileiros sigam as melhores práticas globais para a formulação de políticas baseadas em evidências e adotem a diferenciação com base no tipo e na intensidade da bebida.

Embora a cerveja normalmente já tenha o menor teor alcoólico em volume na categoria, a indústria cervejeira tem trabalhado para incentivar ainda mais o efeito de substituição, investindo na produção de cervejas com baixo teor alcoólico ou sem álcool. São importantes investimentos em novos equipamentos, processos e marketing para desenvolver e promover esses produtos.

O imposto seletivo pode dar suporte a essa categoria nascente porque, quando taxas de impostos mais baixas são aplicadas a bebidas com baixo teor alcoólico, isso incentiva os produtores a continuarem desenvolvendo esses produtos e estimula os consumidores a experimentarem novas opções.

Por exemplo, quando a União Europeia reduziu as taxas para cervejas de menor teor alcoólico, foi observado que a mudança “fornece incentivos para que os consumidores escolham bebidas alcoólicas de menor teor alcoólico em vez de mais fortes, reduzindo assim a ingestão de álcool. Também incentiva os cervejeiros a serem inovadores e a criar novos produtos de menor teor alcoólico”.

O mundo está em um momento único, no qual as políticas de saúde pública, a demanda do consumidor e as metas comerciais da indústria cervejeira estão se cruzando para impulsionar a aceitação de produtos com menor teor alcoólico ou sem álcool e atender às metas globais de saúde pública.

Os criadores e executores de políticas públicas – no Brasil e em outros países – devem aproveitar essa oportunidade para incentivar os consumidores a escolherem menos álcool por meio de políticas inteligentes e baseadas em evidências.

(*) SÃO, RESPECTIVAMENTE, PRESIDENTE-EXECUTIVO DO SINDICATO NACIONAL DA INDÚSTRIA DA CERVEJA (SINDICERV); E PRESIDENTE E CEO DA WORLD BREWING ALLIANCE (WBA). ARTIGO PUBLICADO ORIGINALMENTE NO WEBSITE DO JORNAL “O ESTADO DE S.PAULO” EM 18/07/24.

Indústria da cerveja apoia isenção no imposto seletivo para pequenos produtores de bebidas

A indústria da cerveja no Brasil defende que produtores de bebidas alcoólicas que estejam no Simples Nacional fiquem isentos da cobrança do imposto seletivo. Isso significa que micro e pequenas empresas não pagariam o novo tributo criado pela reforma tributária e usualmente cobrado sobre o consumo de determinados bens e serviços que geram externalidades negativas.

O pleito da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) é apoiado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), pela Associação Brasileira da Indústria da Cerveja (CervBrasil) e pela Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais (Febracerva). Atualmente, 83% das cervejarias brasileiras estão no Simples.

“Ficamos um ano estudando o impacto do imposto seletivo dentro da Câmara Setorial da Cerveja no Ministério da Agricultura e conseguimos demonstrar que o segmento todo é beneficiado com uma tributação específica para as empresas do Simples. A estrutura e recursos das cervejarias artesanais é muito diferente das grandes cervejarias. A cerveja é um patrimônio do Brasil e consenso demonstra a união do segmento”, disse o presidente da Abracerva, Gilberto Tarantino.

O presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, destaca que, com a regulamentação do imposto seletivo, o Brasil terá a chance de adotar um modelo de tributação que leve em conta boas práticas internacionais, para combater o consumo nocivo de álcool e proteger os pequenos negócios.

“Defendemos a isenção para quem está no Simples porque temos uma preocupação em proteger os pequenos de uma carga tributária elevada, pois os altos impostos são considerados o principal desafio para a indústria cervejeira”, argumentou Márcio Maciel.

Recente pesquisa do Guia da Cerveja mostrou que 77% das cervejarias – de todos os portes e regiões – apontaram os impostos e a alta carga tributária como principal desafio para o negócio, o que pode ampliar as dificuldades de crescimento de um setor que contribui diretamente na geração de empregos e para o PIB do país.

Saiba mais sobre imposto seletivo

No início de março, em um seminário na Câmara dos Deputados que discutiu a regulamentação do imposto seletivo, o setor da cerveja defendeu que o Brasil adote práticas internacionais na regulamentação do imposto seletivo que observam a tributação com base no teor alcoólico das bebidas. O evento, realizado por iniciativa de frentes parlamentares, foi realizado dentro dos Grupos de Trabalho (GTs) paralelos no Congresso Nacional.

A indústria cervejeira segue recomendações de organismos internacionais como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a OCDE e o FMI, que consideram a taxação por teor alcoólico o modelo de imposto seletivo mais eficaz para a redução do consumo nocivo do álcool. É um modelo adotado por mais de 40 países, como Austrália, Canadá, Rússia, Reino Unido e União Europeia.