Indústria cervejeira cresce 5,5% e impulsiona a economia em todas as regiões brasileiras

Com 1.949 cervejarias operando em 790 municípios, a indústria cervejeira brasileira reafirmou sua força em 2024. Houve um crescimento de 5,5% na quantidade de estabelecimentos registrados na comparação com o ano anterior, quando havia 1.847 cervejarias distribuídas em 771 localidades.

Mesmo diante das enchentes históricas no Rio Grande do Sul e da desaceleração econômica global, o país registrou a produção de 15,34 bilhões de litros de cerveja, ante 15,36 bilhões no ano anterior, uma diferença de apenas 0,11%, o que evidencia a resiliência e a maturidade do setor.

Os dados foram divulgados nessa terça-feira (5/8) pelo Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), durante o lançamento do Anuário da Cerveja 2025, publicação oficial do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) que consolida os dados da indústria cervejeira brasileira relativos ao ano de 2024.

Realizado no Sesi LAB, em Brasília, o evento intitulado “Confraria Sindicerv” reuniu autoridades, lideranças setoriais e representantes da cadeia produtiva, reafirmando a força de um setor que continua se transformando. Também houve o lançamento da Frente Parlamentar Mista da Cadeia Produtiva da Cerveja, iniciativa apoiada por quase duzentos congressistas sob a coordenação do deputado federal Covatti Filho (PP-RS).

Dentre os destaques da publicação do Mapa, chama atenção o crescimento expressivo das cervejas sem álcool, que aumentaram 536,9% em volume de produção na comparação de 2024 com 2023. “A evolução da cerveja 0,0% reforçam nosso compromisso com a diversidade de escolhas e com um consumo cada vez mais equilibrado e consciente”, afirma Márcio Maciel, presidente-executivo do Sindicerv.

Para Maciel, o Anuário 2025 mostra que o setor segue resiliente e inovador, mesmo num contexto desafiador. “Isso é resultado de uma estrutura sólida e de investimentos contínuos na produção e nas pessoas que fazem essa vasta cadeia acontecer, do campo ao copo. Cerveja é agro, emprego, renda, diversidade, cultura e gastronomia. Cerveja é Brasil”, ressalta.

A grande quantidade de marcas (55.015) e de produtos registrados (43.176) mostra que a indústria oferece um amplo portfólio e está atenta às mudanças no comportamento do consumidor, com uma diversidade capaz de atender diferentes perfis de renda e de realidades regionais.

Os dados do anuário revelam também avanço expressivo nas exportações, com mais de 332 milhões de litros enviados ao exterior e um superávit comercial recorde de US$ 195 milhões.

A maturidade da indústria também se expressa nos investimentos robustos realizados nos últimos anos. Segundo levantamento do Sindicerv e da consultoria Euromonitor, o setor aportou mais de R$ 17,5 bilhões desde 2020, especialmente em tecnologia, expansão de capacidade e modernização das plantas fabris.

A cadeia da cerveja é uma engrenagem poderosa que movimenta a economia em diversas frentes, da produção agrícola ao turismo, da logística à inovação. Preservar a competitividade dessa estrutura exige equilíbrio regulatório e sensibilidade tributária. Reformas fiscais que desconsiderem a complexidade e o peso social e econômico do setor podem comprometer empregos, investimentos e o dinamismo de milhares de pequenos negócios que integram esse ecossistema.

Com dados atualizados sobre registro de estabelecimentos e produtos, exportações, empregos e tendências de consumo, o Anuário da Cerveja 2025 reafirma o papel estratégico da cerveja na economia brasileira e projeta um setor cada vez mais preparado para o futuro.

A íntegra do Anuário 2025 pode ser acessada nos sites do Sindicerv e do Mapa, fortalecendo a transparência e a difusão de conhecimento sobre o mercado cervejeiro nacional.

Cerveja: um patrimônio cultural e motor econômico do Brasil

Foto: Pexels

Por Márcio Maciel – Presidente-Executivo do Sindicerv

Hoje é o dia Internacional da Cerveja e falar de cerveja, no Brasil, é falar de cultura, de encontros e, mais do que nunca, de economia. Ela está nas festas populares, nas ruas, nas arquibancadas e nos brindes de comemoração — mas também está nas cadeias produtivas que geram riqueza, emprego e inovação.

A cerveja é, sem dúvida, a bebida mais democrática que existe. E é exatamente por isso que ela é tão brasileira. Dos grandes centros urbanos ao interior do país, ela acompanha celebrações, vitórias no futebol, encontros com amigos e até corridas de rua. A cada copo, não é só um brinde que acontece — é a cultura brasileira sendo vivida.

O setor cervejeiro brasileiro mostra um vigor impressionante com crescimento constante, impulsionado principalmente pelo sucesso no lançamento de novas linhas de produtos. Um dos grandes marcos dessa renovação vem das cervejarias artesanais, micro e pequenas, que hoje representam mais de 80% das mais de 1.847 cervejarias registradas no país.

Essas pequenas empresas não apenas diversificam os sabores — com ingredientes regionais e experiências inovadoras — como também fortalecem a cultura local e alimentam o ecossistema criativo que torna a cerveja um verdadeiro símbolo de identidade. A cerveja ganha em diversidade. E o Brasil também.

A inovação tem sido um motor essencial. Produtos como a cerveja sem álcool, sem glúten ou com baixas calorias, vêm se consolidando em um mercado em transformação. O exemplo mais emblemático é a Cerveja 0.0, que cresceu mais de 500% nos últimos cinco anos. Essa expansão não é apenas um reflexo de mudança nos hábitos de consumo, mas de como a indústria tem se reinventado para continuar sendo parte das novas histórias e estilos de vida dos brasileiros.

Do ponto de vista econômico, o impacto é ainda mais expressivo. Segundo estudo da FGV, mais de 90% do valor agregado por uma cervejaria permanece na região onde ela está instalada. Isso significa mais impostos locais, mais empregos e renda para a comunidade. É o que chamamos de cadeia “do campo ao copo”: começa na lavoura da cevada e do lúpulo e vai até o balcão do bar, passando pela indústria, logística, comércio e serviços.

E cada elo dessa cadeia tem avançado em compromisso ambiental. A indústria cervejeira brasileira tem investido em práticas de economia circular, com destaque para o reuso da água, o aproveitamento de resíduos como insumos na agricultura e a reciclagem de embalagens. Grandes e pequenas cervejarias vêm adotando metas de sustentabilidade que reduzem a pegada ambiental e tornam o setor mais resiliente. Essa responsabilidade ecológica não é apenas uma tendência: é um fator fundamental para manter a vitalidade da cadeia produtiva e garantir que o brinde de hoje preserve os recursos do amanhã.

Além disso, o turismo cervejeiro se fortalece a cada ano. Cervejarias regionais tornam-se pontos de visita obrigatórios, fomentando experiências gastronômicas únicas e promovendo a identidade de cada região. Cerveja é cultura, é turismo, é desenvolvimento.

O brasileiro sabe disso. Nada menos que 77% da população associa o consumo de cerveja a momentos de celebração, pertencimento e alegria. E é exatamente essa conexão emocional — somada ao potencial de inovação e impacto econômico — que faz da cerveja um ativo poderoso para o país.

Mais do que um brinde, a cerveja é uma ponte entre tradição e futuro. Saúde a isso.