Abertas as inscrições para 4ª edição do Prêmio Lata Mais Bonita do Brasil

Com apoio institucional do Sindicerv, a Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas) abre as inscrições para a quarta edição do Prêmio Lata Mais Bonita do Brasil, que reconhece os rótulos mais bonitos e criativos de latas de bebidas comercializadas no país. Neste ano, a premiação ganha uma novidade com a ampliação de categorias: além de cervejarias, poderão concorrer empresas que atuam com outros tipos de bebidas em lata.

Até o dia 25 de agosto, empresas de bebidas de todos os portes (micro, médias e grandes), podem inscrever gratuitamente até cinco rótulos por categoria, por meio do site oficial do concurso, em uma das duas categorias disponíveis: Cervejarias ou Outros Produtos.

“A premiação reforça nosso compromisso com a inovação, a sustentabilidade e a valorização da embalagem como ativo estratégico para as marcas”, destaca Cátilo Cândido, presidente executivo da Abralatas.

Cada categoria premiará três rótulos, com troféus de ouro, prata e bronze. Além dos prêmios, os vencedores também receberão um selo oficial de reconhecimento e participarão de ativações realizadas em parceria com a Abralatas e seus parceiros.

O concurso será realizado em duas etapas. Na primeira fase, um júri técnico especializado selecionará os cinco melhores rótulos de cada categoria. Já na segunda, a votação é aberta ao público que votará online entre os finalistas, por meio do site da premiação. Os vencedores serão revelados em outubro num evento em São Paulo. Além do Sindicerv, outras nove entidades apoiam institucionalmente o concurso

Serviço

Prêmio Lata Mais Bonita do Brasil – 4ª edição
Inscrições: até 25 de agosto de 2025
Site e regulamento: www.latamaisbonita.com.br

(Da redação, com informações da Abralatas)

Sicobe: de volta ao passado ou rumo ao futuro?

Crédito: freepik

Márcio Maciel*
Alexandre Horta*
Gilberto Tarantino
*

Artigo publicado no Poder 360 em 29/06/25

O ano é 2025, mas parece que voltamos para 2008. Assim como Marty McFly, personagem de Michael J. Fox em “De Volta para o Futuro”, que acidentalmente retorna a 1955 e causa espanto com sua roupa e tecnologia, o setor de bebidas será transportado a uma era analógica com a reativação do Sicobe (Sistema de Controle de Produção de Bebidas) –o sistema de controle físico nas linhas de produção para fins de controle e tributação, descontinuado desde 2016. O tema acende um debate: queremos um sistema de fiscalização do passado ou estamos prontos para avançar com ferramentas modernas?

Instituído em 2008, o Sicobe foi uma resposta válida aos desafios fiscais da época, ajudando o governo a monitorar a produção de bebidas no Brasil com a tecnologia até então disponível. Durante anos, cumpriu seu papel. Mas o sistema também carregava um alto custo operacional – R$ 1,4 bilhão por ano – e exigia a instalação de equipamentos nas linhas de produção, impactando diretamente a rotina das fábricas. Em 2016, a própria Receita Federal optou por descontinuá-lo, diante de denúncias de corrupção, ineficiências operacionais e da chegada de novas tecnologias.

A partir disso, o Brasil e o mundo avançaram em soluções digitais de controle fiscal. Ferramentas como a Nota Fiscal Eletrônica, o Bloco K da Escrituração Fiscal Digital e até recursos de inteligência artificial se tornaram padrão na fiscalização moderna e precisam ser consideradas. Elas oferecem rastreabilidade, transparência e baixo custo, sem interferir nas operações produtivas. Reinstalar o Sicobe seria como rodar o Windows 95 em um computador dos nossos tempos que opera em nuvem.

A base legal que sustentou o Sicobe foi criada no início dos anos 2000. De lá para cá, a indústria de bebidas se transformou –o número de cervejarias triplicou, novas categorias de produtos surgiram e o mercado se tornou mais dinâmico. Esse novo cenário exige, com urgência, uma legislação moderna, sintonizada com os novos tempos e distante de ferramentas de controle físico ultrapassadas, que hoje funcionam em pouquíssimos países.

Não à toa mais de 40 entidades do setor assinaram um manifesto em defesa de um sistema de controle que olhe para frente. A proposta é clara: construir, em parceria com o poder público, uma solução digital, eficiente, transparente, aberta, não interventiva e alinhada à nova legislação tributária, como estabelece a Lei Complementar 214 de 2025. A indústria reconhece a importância do controle e reafirma seu compromisso com a legalidade e a responsabilidade fiscal.

A volta do Sicobe não representa só um custo elevado – é também um sinal trocado diante de todo o esforço de modernização fiscal pelo qual o Brasil passou na última década. O setor de bebidas está pronto para continuar contribuindo com soluções que unam inovação, transparência e eficiência. O futuro exige mais que saudade do passado: exige coragem para avançar.

* Márcio Maciel (presidente-executivo do Sindicerv), Alexandre Horta (presidente-executivo da (Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas) e Gilberto Tarantino (presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal).

Cervejaria catarinense Cozalinda é a décima filiada ao Sindicerv

Fundada em 2014 em Florianópolis (SC), a Cozalinda é a mais nova filiada ao Sindicerv, que passa a ter dez cervejarias no seu quadro de associados.

Referência nacional na produção de cervejas de fermentação selvagem e mista, a Cozalinda fabrica, de forma artesanal, cerca de 10 mil litros ao ano, utilizando ingredientes locais e fermentação em temperatura ambiente, mesmo com os desafios do clima subtropical brasileiro.

“É com grande satisfação que damos as boas-vindas à Cozalinda, uma cervejaria marcada por sua autenticidade e paixão pela cultura local”, diz o presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel.

Rótulos produzidos pela marca, como a “Praia do Meio”, já conquistaram premiações nacionais e internacionais. A Cozalinda tem uma pegada familiar, com forte ligação com a cultura e ingredientes regionais. Como cervejaria, tem como missão espalhar o “sabor de Floripa”, por meio de rótulos com identidade única.

A empresa também lidera ações nacionais como o Projeto Manipueira (cervejas com microrganismos selvagens da mandioca) e o Projeto Peabiru, de produção de malte de milho e chichas contemporâneas.

“O sindicato é uma importante ferramenta de relacionamento para assuntos nos quais convergem os interesses das cervejarias, independentemente do porte”, ressalta Diego Simão Rzatki, sócio da Cozalinda, ao destacar a importância de associação ao Sindicerv. “Outro papel de peso é que, como entidade setorial, o sindicato consegue se comunicar com outros segmentos, e desejamos ampliar a aproximação com setor de hospitalidade e gastronômico”, complementa Jayro Neto, também sócio da Cozalinda.

Agora a cervejaria catarinense se junta a Ambev, Heineken, Hocus Pocus, Louvada, Therezópolis, Colombina, Philipeia, Inbepa e Stannis no quadro de associadas ao Sindicerv. Juntas, essas cervejarias respondem por mais de 85% da produção da bebida no Brasil.

Cervejaria Cozalinda

Fundada em 2014 em Florianópolis (SC), a Cozalinda é referência nacional na produção de cervejas de fermentação selvagem e mista.

Fabrica, de forma artesanal, cerca de 10 mil litros ao ano, utilizando ingredientes locais e fermentação em temperatura ambiente, mesmo com os desafios do clima subtropical brasileiro.

Rótulos produzidos pela marca, como a “Praia do Meio”, já conquistaram premiações nacionais e internacionais. A Cozalinda tem uma pegada familiar, com forte ligação com a cultura e ingredientes regionais. Como cervejaria, tem como missão espalhar o “sabor de Floripa”, por meio de rótulos com identidade única.

Instagram: https://www.instagram.com/cozalindafloripa/

CERVEJA É GASTRONOMIA: no prato, no copo, na boca

A gastronomia cervejeira vive seu auge no mundo todo. Podemos dizer que foi, principalmente nos últimos 50 anos, que muita coisa mudou, entre elas, a forma como provamos pratos internacionais e podemos, nós mesmos, produzir um prato clássico japonês em casa ou fazer um tiramisu com queijo italiano para a sobremesa do domingo. Assim também com a cerveja, podemos provar cervejas do mundo todo, com diferentes sabores e ingredientes variados. A cultura e seus sabores estão a um copo e a um prato de nós.

Dizemos que cerveja é gastronomia por diversos fatores. Para começar, a cerveja sempre foi um produto feito em casa, na antiguidade era parte da alimentação das famílias e como já vimos em sua história, foi a partir das revoluções comerciais e industriais que ganhou escala.

Cerveja é gastronomia porque também é agricultura. Plantamos e colhemos os ingredientes necessários para se produzir a cerveja. Também já conhecemos o processo de produção: cozinhar o malte, temperar o mosto, fermentar o líquido. Todo o processo é culinário. 

A gastronomia é o grande guarda-chuva do comer e do beber, é o debate, o estudo das relações que cercam a cultura, o fazer, o consumir. Por isso podemos afirmar que cerveja é gastronomia, pois está conectada a essa estrutura interdisciplinar dos alimentos e bebidas.

Aqui, a ideia é mostrar como a cerveja à mesa é uma ótima combinação para criar harmonia entre sabores e elevar as experiências ao máximo, de forma gastronômica e prazerosa. Para falar um pouco mais sobre isso, vamos entender como os sabores se formam, a partir da fórmula: gosto + aroma + sensação de boca + biblioteca sensorial que temos em nossa memória.

O gosto  

Temos 5 gostos conhecidos:

  1. Doce: associado a açúcares e alimentos ricos em carboidratos. Ele costuma trazer conforto e suavidade ao paladar.
  2. Salgado: ligado à presença de sais. Esse gosto realça outros sabores e pode equilibrar o doce ou intensificar o amargor.
  3. Azedo: percebido em alimentos ácidos, como frutas cítricas. Esse gosto pode ser refrescante e ajuda a cortar gorduras, dando leveza ao paladar.
  4. Amargo: muitas vezes presente em vegetais verdes e na cerveja, principalmente por causa do lúpulo. O amargor adiciona complexidade e contrasta bem com o doce.
  5. Umami: encontrado em alimentos ricos em aminoácidos, como queijos e carnes. Esse gosto confere profundidade e riqueza, equilibrando bem o perfil de sabor. Chamamos de gosto do gostoso pois é um realçador.

Esses gostos interagem entre si, destacando ou suavizando certos sabores. Existem conversas sobre a “gordura” ser um gosto, mas ainda não é considerada oficialmente um sexto gosto básico, apesar de pesquisas apontarem que podemos ter receptores específicos para percebê-la. Esse “gosto de gordura” está sendo explorado em estudos, e alguns pesquisadores acreditam que ele desempenha um papel importante na percepção global de sabor e textura, influenciando o prazer e a saciedade no consumo de alimentos.

O mais interessante é que de qualquer forma na cerveja não encontramos esse gosto, mas sim nos alimentos que vamos propor harmonizar, mais ali em baixo no texto.

O aroma

Os seres humanos são aptos a perceber mais de um trilhão de aromas! Durante muito tempo, acreditava-se que podíamos distinguir cerca de 10 mil aromas diferentes, mas um estudo mais recente, publicado em 2014 por pesquisadores da Rockefeller University, liderados pelo neurocientista Andreas Keller,  mostraram que o número é significativamente maior. Esse número enorme se deve à combinação dos nossos cerca de 400 tipos diferentes de receptores olfativos, que são capazes de captar e combinar moléculas de diferentes cheiros em padrões complexos.

Na prática, isso significa que, embora muitos aromas sejam parecidos, conseguimos detectar nuances muito sutis entre eles. Essa ampla capacidade é o que permite a percepção de aromas complexos em alimentos e bebidas, como as camadas de aromas presentes em uma boa cerveja, que variam desde notas de malte e lúpulo até toques frutados, condimentados e amadeirados.

 

A sensação de boca

As sensações de boca são percepções táteis e físicas que temos ao provar alimentos e bebidas, além dos gostos básicos e aromas. Na gastronomia, essas sensações complementam a experiência de sabor e ajudam a definir o caráter de cada alimento ou bebida. Aqui estão as principais:

  1. Untuosidade: a sensação de gordura e cremosidade que reveste o paladar, comum em queijos, molhos ricos e carnes gordurosas. Essa sensação pode ser equilibrada com acidez ou efervescência.
  2. Adstringência: a sensação de secura ou de “aperto” na boca, causada por compostos como taninos, presentes em vinhos tintos e na fruta caju, por exemplo. Na cerveja, pode vir de certos grãos ou do lúpulo.
  3. Efervescência: a percepção das bolhas e do gás carbônico, como em refrigerantes e cervejas. Ela refresca o paladar, “limpando” sabores fortes ou untuosos e intensificando o frescor.
  4. Picância: a sensação de calor ou ardência, causada por compostos como a capsaicina (da pimenta) ou o gengibre. É uma sensação tátil que ativa receptores de dor e calor na boca.
  5. Temperatura: a sensação térmica (frio ou calor) de um alimento ou bebida. A temperatura influencia a percepção de sabores, como o doce e o amargo, e pode tornar uma experiência mais reconfortante ou refrescante. No Brasil, um país de altas temperaturas, o consumo tende a ser do produto bastante gelado.
  6. Corpo: a sensação de peso ou “densidade” na boca. Bebidas e alimentos com mais corpo são “mais pesados” e persistem mais no paladar, como uma cerveja encorpada ou um caldo grosso.

Essas sensações de boca interagem com os sabores e aromas, criando uma experiência complexa e completa de degustação. Já tinha pensando na cerveja desta forma?

Que sabor a cerveja tem?

Junto, tudo isso forma o sabor da cerveja, uma complexa trama de acontecimentos que precisam acontecer para você dar um gole de cerveja e sentir, todo o prazer que o gosto, o aroma, a sensação de boca e suas memórias tem com aquele líquido e mandar para seu cérebro! Aí você sabe se gosta ou não, reconhece ou não!

Harmonização de cervejas

“Harmonizar é extrair os melhores sabores daquilo que se está consumindo.” 

Fernanda Meybom

Quando falamos de combinar os sabores é tentar um casamento entre diferentes coisas. A cerveja e a comida estão juntas nas mesas, fazendo um encontro que pode ter infinitos cruzamentos e que ficam muito bons.

Tecnicamente conseguimos criar teses que nos sugerem o que combina com o quê, isso porque temos algumas regras que nos ajudam a chegar nessa conta que só se sabe o resultado com um garfo e um copo em mãos. Alguns tipos de harmonização:

Equilíbrio: O objetivo é encontrar uma combinação onde os sabores da cerveja e do prato estejam em harmonia, sem que um sobressaia sobre o outro.  

Exemplos: A acidez e a carbonatação de uma cerveja podem equilibrar pratos mais gordurosos; o amargor pode suavizar pratos doces, e o dulçor pode amenizar sabores picantes.

Semelhança: A ideia é buscar perfis de sabor parecidos entre a cerveja e o prato, criando uma conexão sensorial que intensifica a experiência.  

Exemplos: Uma Saison com especiarias combina bem com pratos que também trazem condimentos, enquanto uma IPA com notas cítricas harmoniza com receitas que têm toques de frutas cítricas.

Contraste: Consiste em unir sabores opostos para destacar as qualidades de cada elemento.  

Exemplo: Uma IPA com notas cítricas junto a uma torta de maracujá, onde o amargor da cerveja cria um contraste com a doçura da sobremesa, destacando as notas cítricas e o sabor do malte.

Corte: Usar o amargor, a carbonatação ou a acidez da cerveja para “limpar” o paladar. Esse método é especialmente eficaz em pratos gordurosos ou apimentados.

Complementação: Procura-se combinar sabores que se valorizam mutuamente, intensificando as qualidades de ambos.  

Exemplo: A clássica combinação de chocolate com uma cerveja de perfil com notas de café.

Estímulo: A cerveja interage com o prato, destacando seus sabores ou agregando novas nuances. Uma provocação ao palato.

Harmonização Cultural ou Local: Enaltece a tradição e os produtos regionais, como um bom churrasco acompanhado de uma Lager no Brasil.

Dicas para harmonizar melhor

  • Observe sempre as intensidade: É fundamental equilibrar a intensidade da cerveja e da comida. A intensidade da cerveja pode ser percebida pelo teor alcoólico, amargor, sabor do malte, acidez, dulçor, sabores de fermentação, sabores do lúpulo, notas frutadas e amadeiradas.
  • Ingredientes e modo de preparo dos alimentos: Os ingredientes, temperos, condimentos e o método de preparo do alimento influenciam diretamente na escolha da cerveja. É preciso considerar as características de cada ingrediente e como elas interagem com os sabores da cerveja. Ou seja, para um casamento arranjado, observe os detalhes.

Cerveja dentro da panela

O que mais dá para fazer? Cozinhar usando uma cerveja receita!

  • Combinar os sabores da cerveja com os ingredientes da receita.
  • Conhecer o estilo da cerveja e o prato a ser preparado.
  • Guardar parte da cerveja para degustar durante o preparo.
  • Começar com receitas simples e familiares.
  • Utilizar cerveja de qualidade 

O uso da cerveja como ingrediente na culinária oferece diversas vantagens, como a ampliação do sabor e a versatilidade. No entanto, é preciso estar atento a alguns pontos, como o amargor excessivo e a escolha da cerveja adequada para cada receita. 

Saiba mais: Fontes

Mais de 40 entidades assinam manifesto em defesa da modernização do sistema de controle de bebidas

Crédito: freepik

O Sindicerv é uma das mais de 40 entidades do setor de bebidas que assinam uma carta conjunta em defesa de modernização do sistema de controle de bebidas (leia a íntegra abaixo). A questão veio à tona diante de uma determinação do Tribunal de Contas da União (TCU), contestada pelo Governo Federal no STF, que impõe o religamento do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), desativado em 2016 pela Receita Federal.

“O setor acompanha atentamente o andamento do processo e considera positivo o reconhecimento, por parte da Receita Federal, de que existem sistemas de controle de produção mais modernos e tecnologicamente avançados”, avalia o presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Maciel.

TECNICAMENTE INADEQUADO

O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, concedeu, na última sexta-feira (4/4), liminar para suspender os efeitos das decisões do TCU que determinavam a retomada compulsória do Sicobe. A medida foi tomada no âmbito do Mandado de Segurança 40.235, impetrado pela União, via AGU, em 3 de abril.

Na decisão, o relator reconheceu a existência de fundamentos relevantes que indicam a competência legal da Receita Federal para definir e modificar obrigações acessórias, conforme previsto no art. 35 da Lei 13.097/2015, no art. 16 da Lei 9.779/1999 e no Decreto 8.442/2015. O ministro também destacou o risco de violação ao pacto federativo, à medida que o retorno ao Sicobe poderia impactar negativamente a arrecadação nos entes subnacionais.

A decisão ressalta ainda o risco orçamentário e fiscal, ao apontar que a reativação do sistema poderia representar uma renúncia de receita estimada em R$ 1,8 bilhão por ano, sem cobertura na Lei Orçamentária Anual – o que configuraria ofensa ao art. 14 da Lei de Responsabilidade Fiscal.

A Receita Federal e a Advocacia-Geral da União sustentam que o Sicobe é tecnicamente inadequado, juridicamente vulnerável e economicamente inviável. O retorno a esse modelo, segundo os argumentos acolhidos pelo STF, seria um retrocesso diante dos avanços tecnológicos já implementados, como o uso do Bloco K da Escrituração Fiscal Digital (EFD).

De acordo com Maciel, “essa sinalização dos órgãos governamentais está em sintonia com a evolução e a expansão da indústria de bebidas ao longo dos últimos anos. Reinstalar um sistema descontinuado há quase uma década – e que pode gerar custos desnecessários ao consumidor, ao Fisco e à indústria –, sem considerar os avanços já consolidados, representaria um evidente retrocesso para a administração tributária e para o próprio setor produtivo”.

Além da desatualização e do alto custo do sistema, a decisão do TCU, mesmo que indiretamente, também determina que o serviço seja prestado pela mesma empresa que operava em conjunto com a Casa da Moeda o sistema interrompido em 2016, impedindo que sejam considerados sistemas mais eficientes, transparentes e com custos mais adequados.

A Carta Aberta reforça o posicionamento desse segmento, unido para colaborar com a administração pública na criação de um sistema eficiente, transparente, aberto e não interventivo, sem custos que reflitam na inflação (via compensação ou inexistência de custos novos), que atenda a todos os processos de produção, com suas especificidades, e que esteja alinhado com o novo sistema tributário, regulamentado pela Lei Complementar 214/2022.

Com a liminar, permanecem válidos os Atos Declaratórios Executivos 75 e 94/2016, que desobrigaram o uso do Sicobe. O caso segue em tramitação para julgamento de mérito no STF.

Confira abaixo a íntegra do documento:

CARTA ABERTA

Manifesto em Defesa da Modernização do Controle de Bebidas

As entidades aqui representadas acompanham os desdobramentos do mandado de segurança (MS 40235) impetrado pela Advocacia-Geral da União (AGU) junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a retomada do Sistema de Controle de Produção de Bebidas (Sicobe), desativado pela Receita Federal (RFB) em 2016, após oito anos de vigência, devido à obsolescência e ao custo excessivo.

O papel do Sicobe ficou no passado, visto que nos últimos anos a própria RFB desenvolveu novos e modernos sistemas de fiscalização. Paralelamente a isso, o setor de bebidas cresceu em tamanho e investiu bilhões em tecnologia e inovação, garantindo mais eficiência, transparência e controle da produção em todas as etapas, do campo ao copo do consumidor.

Para se ter uma ideia, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária, em 2016, havia 1.616 agroindústrias registradas como produtoras de bebidas não alcoólicas; em 2023, já eram 2.277. Em relação ao setor cervejeiro, existiam 493 cervejarias em 2016. Em 2023, o número aumentou para 1.847. Quando olhamos os dados de estabelecimentos produtores de cachaça registrados, em 2018 eram 951 e, em 2023, 1.217.

A adoção de tecnologias avançadas como blockchain, SPED e Nota Fiscal Eletrônica, todas operadas pela Receita Federal, tornaram obsoletos os modelos de controle físicos e pavimentaram o fim de uma era marcada por custos bilionários para os cofres públicos.

Se em 2016 o sistema já era considerado obsoleto, hoje tal cenário é ainda mais evidente. O mandado de segurança impetrado em 3 de abril reforça esse entendimento, não somente ao classificar a determinação de religamento do Sicobe de “grave ameaça à ordem administrativa, econômica e tributária”, mas também por considerar que a imposição implica na adoção imediata de um mecanismo “operacionalmente inviável, financeiramente insustentável e juridicamente irregular”.

O setor de bebidas sempre foi e continuará sendo parceiro da administração pública na implementação de sistemas que visem ao combate da sonegação. Todavia é impreterível que essas medidas sejam atuais e permitam que as empresas se concentrem em inovações e em qualidade, em vez de se perderem em custos e burocracias desnecessárias. As administrações tributárias mais modernas e tecnológicas, tais como aquelas presentes nos países da OCDE, realizam a fiscalização tributária do setor de maneira digital, eficiente e sem custos aos contribuintes.

Nesse contexto, o setor de bebidas está unido para colaborar com a administração pública na criação de um sistema: (i) digital; (ii) eficiente; (iii) transparente; (iv) aberto; (v) não interventivo; (vi) sem custos que reflitam na inflação (via compensação ou inexistência de custos novos); (vii) alinhado com o novo sistema tributário, regulamentado pela Lei Complementar 214/2025; e (viii) amplo, abrangente e que respeite as especificidades das diversas categorias.

O setor produtivo confia na impressionante jornada de modernização tributária brasileira e dos mecanismos de controle implementados pela Receita Federal ao longo da última década. Um novo sistema precisa ser amplo, abrangente e deve respeitar as especificidades das diversas categorias. O religamento de um sistema caro, obsoleto e inoperável implica um retrocesso incalculável para a nação.

  • Abbd – Associação Brasileira de Bebidas Destiladas
  • ABCBC – Associação Blumenau Capital Brasileira da Cerveja
  • Abia – Associação Brasileira da Indústria de Alimentos
  • Abir – Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas não Alcoólicas
  • Abividro – Associação Brasileira das Indústrias de Vidro
  • Abrabar – Associação Brasileira de Bares e Casas Noturnas
  • Abrabe – Associação Brasileira de Bebidas
  • Abracerva – Associação Brasileira de Cerveja Artesanal
  • Abralatas – Associação Brasileira dos Fabricantes de Latas de Alumínio
  • Abrasel – Associação Brasileira de Bares e Restaurantes
  • AGM – Associação Gaúcha de Microcervejarias
  • Aicerva – Associação das Indústrias de Cerveja Artesanal do Espírito Santo
  • Aprolúpulo – Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo
  • Bahia Cerva
  • BFBA –Associação Brasileira dos Exportadores e Importadores de Alimentos e Bebidas
  • Cerva ao Quadrado – Movimento Cervejarias Artesanais do Distrito Federal
  • CervBrasil – Associação Brasileira da Indústria da Cerveja
  • Circula Vidro
  • Contac CUT – Confederação Brasileira Democrática dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação
  • Feapar – Federação dos Empregados nas Indústrias de Alimentação do Estado do Paraná
  • Febracerva – Federação Brasileira das Cervejarias Artesanais
  • FIEMA – Federação das Indústrias do Estado do Maranhão
  • FIEPA – Federação das Indústrias do Estado do Pará
  • Ibrac – Instituto Brasileiro da Cachaça 
  • Piracerva – Associação das Cervejarias da Região de Piracicaba
  • Polo Cervejeiro da Região Metropolitana de Campinas
  • Polo Cervejeiro de Jundiai e Região
  • Polo Cervejeiro do Alto Tietê
  • Rede Craft Cervejarias Independentes
  • SiabRS – Sindicato das Indústrias da Alimentação e Bebidas do Estado do Rio Grande do Sul
  • Siaeg – Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Cerveja, bebidas e de Água Mineral do Estado de Goiás
  • Sindbep/PE – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Cerveja e Bebidas em Geral, do Vinho e Águas Minerais do Estado de Pernambuco
  • Sindibebidas/MA –Sindicato das Indústrias de Bebidas, Água Mineral e Aguardente do Estado do Maranhão 
  • Sindibebidas/MG –Sindicato das indústrias de cerveja e bebidas em geral do estado de Minas Gerais
  • Sindibebidas/PR –Sindicato das Indústria de Bebidas do Estado do Paraná
  • Sindibebidas/SC –Sindicato das Indústria de Bebidas do Estado de Santa Catarina
  • Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Alimentação de Porto Alegre
  • Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Jundiaí
  • Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Bebidas em Geral de Manaus
  • Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Cerveja e Bebidas em Geral, Do Vinho, Água Mineral, do Azeite e Óleos Alimentícios, da Torrefação e Moagem de Café de Curitiba e Região Metropolitana e dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação
  • Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Cervejas, Vinhos, Águas Minerais e Bebidas em Geral da Grande São Paulo
  • Sindicerb – Sindicato da Indústria da Cerveja e Bebidas em Geral no Estado da Bahia
  • Sindicerv – Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja
  • Sistema FIERGS – Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul
  • SITAC Sitac – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Campinas
  • Sitial – Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Carne e Derivados, Bebidas, Alimentação e Afins de Lages e Região de Santa Catarina
  • Unicerva ZM –Cervejas Artesanais da Zona da Mata, Juiz de Fora – Minas Gerais
  • Uvibra –União Brasileira de Vitivinicultura

LEVEDURA: influência no sabor, aroma e textura da cerveja

A levedura é um microrganismo fundamental no processo de produção da cerveja, mas muitas vezes passa despercebida pelo consumidor. É da levedura a tarefa de “alimentar-se” dos açúcares provindos do malte (um dos quatro principais ingredientes da cerveja), transformando-os  em álcool e gás carbônico, em um processo chamado fermentação. Além disso, ela também é responsável por influenciar o sabor, o aroma e a textura da cerveja. 

Existem diferentes tipos – ou cepas – de leveduras e cada uma delas pode criar perfis de sabor e características únicas, como notas frutadas, florais ou até mesmo de especiarias.

Antes de Hooke, Leeuwenhoek e Pasteur, cientistas que foram referências em  pesquisas desta área, o conhecimento sobre a fermentação era muito limitado, e as pessoas realmente viam esse processo de maneira bastante mística e inexplicável.

  • Antes das descobertas científicas, principalmente antes do século XVII, muitos acreditavam que a fermentação era um processo quase mágico. Às vezes, era referido de forma mais supersticiosa e chamado de “Godisgood” (algo como “Deus é bom”), sugerindo que o processo tinha uma origem divina.
  • Essa visão estava enraizada na falta de conhecimento sobre a existência de organismos que não podiam ser vistos a olho nu. As pessoas observavam a fermentação em alimentos e bebidas, como o pão e a cerveja, e viam o fenômeno acontecer sem entender  o que o causava.

OS PESQUISADORES

  • À Robert Hooke, em 1665, credita-se o primeiro uso do microscópio para a observação de organismos vivos, incluindo fungos, mas foi Anton van Leeuwenhoek, um comerciante holandês,em 1674, quem observou e descreveu pela primeira vez organismos de escala microscópica, como bactérias e leveduras, usando microscópios feitos por ele mesmo.
  • Embora ambos tenham observado organismos microscópicos, a conexão com a fermentação só viria mais tarde, com os avanços de Pasteur.

    Louis Pasteur e a conexão com a fermentação:

    • No século XIX, Louis Pasteur fez a descoberta crucial de que as leveduras eram responsáveis pela fermentação alcoólica. Ele demonstrou que a fermentação não era um processo místico ou espontâneo, mas sim, causado por microrganismos vivos (leveduras) que transformam açúcares em álcool e gás carbônico.
    • A descoberta de Pasteur ajudou a mudar a compreensão sobre a fermentação, dando-lhe uma explicação científica. Ele também foi pioneiro no conceito de germes, mostrando que o controle dos microrganismos podia garantir melhores condições sanitárias e de produção de bebidas e alimentos.

    Em 1883, o cientista dinamarquês Emil C. Hansen fez uma contribuição fundamental para a indústria cervejeira ao cultivar leveduras puras. Esse avanço teve um impacto profundo na produção de cerveja, sendo considerado também um marco na história da microbiologia. 

    Antes de Hansen, cervejeiros dependiam de leveduras selvagens ou de cepas que eram reutilizadas de um lote para o outro.. A levedura podia ser coletada da parte superior ou inferior dos tanques fermentadores, a depender do tipo de cerveja produzida, mas o controle da pureza daqueles microrganismos era limitado. Isso resultava em contaminações e inconsistências no processo de fermentação.

    O que as descobertas científicas sobre levedura proporcionaram?

    1. Controle da qualidade: A possibilidade de usar levedura isolada eliminou as variações de sabor causadas por diferentes cepas ou contaminações. Isso permitiu aos cervejeiros produzir cervejas mais consistentes, com sabor, aroma e características controladas.
    2. Fermentação controlada: O isolamento de leveduras permitiu o controle mais preciso sobre o processo de fermentação, sendo possível manipular as condições para obter diferentes estilos de cerveja, sem o risco de variações indesejadas no sabor.

    Desenvolvimento de novas cervejas: Com a capacidade de controlar a fermentação, as cervejarias puderam experimentar mais com diferentes estilos de cerveja, principalmente cervejas lager (como as Pilsners), que requerem leveduras específicas e temperaturas de fermentação mais baixas.

    A LEVEDURA NA ATUALIDADE

    Hoje, as leveduras isoladas são fundamentais para a indústria cervejeira e muitas cervejarias utilizam cepas comerciais padronizadas para garantir uma produção consistente. O trabalho de Hansen é considerado um marco tanto para a microbiologia quanto para a indústria de bebidas, mostrando como a ciência pode transformar processos artesanais em atividades mais eficientes e de maior escala.

    TIPOS DE LEVEDURA CERVEJEIRA

    Cada cepa e o controle sobre o processo de fermentação são cruciais para o desenvolvimento dos sabores e características das cervejas, o que torna a escolha da levedura um dos principais elementos no processo de produção da cerveja.

    Leveduras Ale

    • Temperatura de Fermentação: Geralmente fermentam entre 15°C e 24°C.
    • Tipo de Levedura: A levedura mais comum para esse tipo é a Saccharomyces cerevisiae, embora existam diferentes cepas dessa espécie, cada uma podendo gerar sabores distintos.

    Leveduras Lager

    • Temperatura de Fermentação: Fermentam-se em temperaturas mais baixas, geralmente entre 7°C e 13°C.
    • Tipo de Levedura: A principal levedura usada para esse tipo é a Saccharomyces pastorianus 

    Outras leveduras

    • Leveduras Brettanomyces (a temperatura de fermentação pode variar conforme a cepa e o objetivo desejado. De maneira geral, a Brett fermenta bem em uma faixa de 15°C a 30°C, e é mais encontrada em fermentações que são feitas em barris de madeira, por um tempo prolongado)
    • Leveduras Kveik, originárias da Noruega, são conhecidas por sua fermentação extremamente rápida e resistência a altas temperaturas. Diferente da maioria das leveduras tradicionais, as Kveiks podem fermentar bem em temperaturas entre 25°C e 40°C.

    Outros microrganismos 

    •  Bactérias como Lactobacillus e Pediococcus são usadas para criar cervejas diferentes, com sabores ácidos e frutados.

    O tipo de levedura, o ambiente e as condições do processo afetam diretamente o produto final. Vários fatores influenciam a fermentação, como a cepa de levedura utilizada, o tipo, formato e tamanho do fermentador, as condições de temperatura, o oxigênio disponível, entre outros, o tamanho do fermentador. Esses fatores determinam as características e o estilo da cerveja produzida.

    Saiba mais: Fontes

    Encontro de cervejeiros latino-americanos nos EUA mostra união e força do setor

    Com a participação do Sindicerv, a associação Cerveceros Latinoamericanos realizou sua reunião anual em Miami, consolidando a unidade e a força de uma indústria que contribui com US$ 88,6 bilhões para o PIB regional e gera 3,9 milhões de empregos na América Latina e no Caribe.

    O encontro, realizado nos dias 12 e 13 de março, conectou líderes cervejeiros de países latino-americanos, que atuaram sob uma visão comum: fortalecer os laços regionais e amplificar a voz unificada do setor em fóruns internacionais. O presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, representou a indústria brasileira no evento.

    “Este encontro reafirma nosso compromisso com uma indústria cervejeira latino-americana unida, orientada para o futuro e sustentável”, destacou Tania Ramos Beltrán, Diretora Executiva da associação.

    Durante a Assembleia Anual, foi eleita uma nova diretoria para o biênio 2025-2027, cujos nomes refletem a pluralidade geográfica e empresarial do setor, consolidando uma visão integradora que fortalece a voz da indústria cervejeira latino-americana em pilares estratégicos com saúde pública, marco regulatório e sustentabilidade. A Cerveceros foi fundada em 1945 e abrange 22 países da América Latina e Caribe.

    Nos workshops e painéis dedicados aos pilares estratégicos, os participantes compartilharam experiências e discutiram planos de ação. Durante o encontro, Márcio Maciel destacou a força da indústria cervejeira brasileira, como o posto de terceiro maior produtor mundial e o impacto da cadeia produtiva no PIB, que chega a 2%, e abordou a reforma tributária em curso no Brasil.

    Ainda segundo ele, o encontro nos Estados Unidos contribuiu para o fortalecimento do setor na região e possibilitou uma rica troca de informações.

    LÚPULO: amargor, equilíbrio e uma camada de tempero na cerveja

    O que chamamos de lúpulo são as “flores” verdes e em forma de cone, ou inflorescências, da planta Humulus lupulus, um dos ingredientes essenciais para a produção de cerveja nos dias de hoje. Essa planta trepadeira pode crescer até 30 centímetros por dia, subindo sempre em sentido horário pelas estruturas de sustentação. 

    A complexa composição química e diferentes possibilidades de uso têm sido objeto de pesquisa em muitas universidades pelo mundo. O lúpulo é a principal fonte de amargor na cerveja, conferindo também  aroma e sabor  Além disso, possui qualidades conservantes naturais, sendo antimicrobiano e ajudando a evitar bactérias durante a fermentação, o que contribui para a preservação da bebida e melhorando a estabilidade microbiológica do produto final. 

    Historicamente, o lúpulo desempenha  papel fundamental na produção de cerveja há séculos. O primeiro registro documentado de seu uso na bebida data de 822, em uma lista de regras para monges escrita por Abade Adelardo, no Mosteiro de São Pedro e São Estevão, na França. O cultivo de lúpulo remonta ao século IX, com registros de plantações entre 859 e 875 na Abadia de Freisingen, na Bavária, Alemanha. Além disso, há evidências de seu uso na medicina árabe no século X, onde o lúpulo era descrito como “eficiente para purificação do sangue e controle de febres”.

    Atualmente, os lúpulos são cultivados de forma global,  em regiões como Alemanha, República Tcheca, Nova Zelândia e América do Norte, com destaque crescente para o Brasil, que tem avançado na sua produção nos últimos anos. As variedades de lúpulos são muitas, cada uma trazendo características únicas para a produção de cerveja.

    VARIEDADES MAIS POPULARES DE LÚPULO

    • Amarillo
    • Centennial
    • Cascade
    • Chinook
    • Citra
    • Columbus
    • Crystal
    • East Kent Golding
    • Ekuanot
    • Ella
    • El Dorado
    • Fuggle
    • Galaxy
    • Hallertauer Tradition
    • Hallertauer Mittelfrüh
    • Idaho 7
    • Magnum
    • Mosaic
    • Nelson Sauvin
    • Nugget
    • Perle
    • Saaz
    • Simcoe
    • Sorachi Ace
    • Strata
    • Target
    • Tettnanger

    Esses lúpulos podem ser utilizados de maneiras diversas durante o processo de produção, sendo capazes de conferir desde amargor até aromas e sabores complexos, como frutas cítricas, flores, ervas e pinho. Os sabores que os cervejeiros querem dar as suas cervejas, em geral, são de perfis que tragam:

    • Florais
    • Condimentados
    • Frutas tropicais
    • Cítricos
    • Herbais
    • Cítricos
    • Frutas de caroço

    A química dos lúpulos é complexa, mas a evolução das técnicas de análise e produção permitiu que cervejeiros artesanais e industriais explorassem todo o potencial da planta. Além disso, a tecnologia moderna tem permitido que novos produtos derivados do lúpulo sejam desenvolvidos, oferecendo mais controle sobre o sabor final da cerveja. Produtos avançados de lúpulo, como os baseados em iso-alfa-ácidos reduzidos, são capazes de evitar sabores indesejáveis causados pela exposição à luz, tornando as cervejas mais estáveis.

    A utilização criteriosa de lúpulos em cada fase do processo de produção permite que os cervejeiros personalizem suas criações, combinando variedades como temperos na cozinha. O lúpulo representa a complexidade e a arte da produção cervejeira, sendo um dos principais responsáveis pela diversidade e riqueza de estilos que conhecemos hoje.

    Mas, e antes do lúpulo? O que trazia esse equilíbrio para as receitas de cerveja? Seria essa sua função central e mais importante?

    GRUIT

    O gruit era uma mistura de ervas e especiarias usada para aromatizar e conservar a cerveja antes do uso disseminado do lúpulo, especialmente na Europa medieval. Essa mistura variava conforme a região e as tradições locais, mas geralmente incluía ingredientes como:

    • Myrica gale: amarga e aromática, a mirra era um dos componentes principais do gruit e contribui com seu sabor amadeirado e propriedades conservantes.
    • Artemísia (Artemisia vulgaris): de sabor levemente amargo, a artemísia era usada para dar corpo à bebida e auxiliar na conservação.
    • Alecrim e Zimbro: proporcionam aroma e também têm efeitos antimicrobianos.
    • Bagas e outras especiarias: especiarias como gengibre e cominho eram usadas para intensificar o sabor.

    Além do sabor e da conservação, o gruit também tinha uma função espiritual e ritualística. Algumas dessas ervas tinham propriedades psicoativas ou medicinais, e o gruit era, assim, uma mistura que variava de acordo com o objetivo e o efeito desejado. Ele era, em geral, controlado por igrejas e autoridades locais, que detinham o monopólio sobre a mistura e sua venda, algo que gerava uma fonte de receita relevante.

    Com o passar do tempo, o uso do gruit começou a declinar. A introdução do lúpulo na cerveja na Idade Média, primeiramente na Alemanha, trouxe um método mais eficiente de conservação e um amargor que combinava bem com o sabor adocicado da bebida que vinha dos maltes. O lúpulo substituiu gradualmente o gruit, levando à expansão da cerveja de sabor mais consistente e segura para o seu consumo.

    Saiba mais: Fontes

    Frente Parlamentar é lançada durante festival brasileiro da cerveja

    Capital brasileira da cerveja, Blumenau (SC) foi palco nesta quarta-feira (12) do lançamento da Frente Parlamentar Mista da Cadeia Produtiva da Cerveja, iniciativa apoiada por quase duzentos congressistas sob a coordenação do deputado federal Covatti Filho (PP-RS).

    Em seu discurso, o diretor-presidente do Sindicerv, Rodrigo Moccia, ressaltou que a cerveja é um produto essencialmente local e gerador de cerca de 2,5 milhões de empregos no Brasil ao longo da cadeia e mais de 1,2 milhão de postos de venda.  “A cerveja é natural, local e inclusiva. Geramos emprego e renda na comunidade onde estamos inseridos”, ressaltou.

    Como destacou, do campo ao copo este é um setor com grande efeito multiplicador de postos de trabalho nas localidades onde as cervejarias estão instaladas. Para Moccia, com a iniciativa do Congresso Nacional foi dado um passo importante visando fortalecer o setor como um todo.

    De hoje até sábado, a cidade catarinense recebe o maior encontro de cervejeiros do Brasil:  o Festival Brasileiro da Cerveja, local da cerimônia de lançamento da frente, que contou com a presença do prefeito de Blumenau, Egidio Ferrari, vereadores e representantes de entidades nacionais da cadeia produtiva da cerveja brasileira.

    O deputado Covatti Filho também destacou o impacto positivo da cadeia na geração de emprego e renda e o alto volume de impostos pagos. “Hoje a cadeia produtiva representa mais de R$ 50 bilhões em tributos”, apontou Covatti. Segundo ele, com diálogo junto aos parlamentares via frente será possível contribuir com o setor no Congresso Nacional.

    Em seu discurso, o prefeito de Blumenau disse que o segmento deve ser valorizado e ter o seu devido espaço, além de ter ressaltado a tradição cervejeira na cultura e na história do município.  

    AGENDA LEGISLATIVA

    A iniciativa, que contou com a assinatura de 199 parlamentares, tem como principal objetivo impulsionar a agenda legislativa voltada ao setor cervejeiro, fomentando a produção nacional e fortalecendo sua competitividade no mercado global. 

    Além disso, o colegiado poderá promover debates e articular ações e políticas públicas em prol de toda a cadeia produtiva, que envolve vários atores e estágios, desde a produção dos ingredientes até a distribuição e consumo da bebida. Além disso, a frente visa, ainda, aprimorar a legislação, simplificar a tributação, apoiar os produtores de insumos e impulsionar inovações tecnológicas, além de ampliar a presença internacional do setor e promover práticas sustentáveis e o consumo responsável. 

    Os números mostram a importância socioeconômica desta indústria para o país, com impactos positivos em setores como agronegócio, logística, energia, transporte e alumínio, dentre outros.

    A cadeia produtiva responde por 2% do PIB nacional. O Brasil é o 3º maior produtor mundial de cerveja, ficando atrás apenas dos EUA e da China. De acordo com o Anuário da Cerveja 2024, produzido pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, são 1.847 cervejarias operando em 771 municípios, com produção declarada superior a 15 bilhões de litros em 2023. Além disso, o país conta com 45.648 produtos cervejeiros registrados, refletindo a diversidade e o crescimento contínuo do setor.

    O FESTIVAL
    Realizado anualmente em Blumenau, Santa Catarina, o Festival Brasileiro da Cerveja está na 16ª edição. Este é um dos mais prestigiados eventos do gênero na América Latina. O Sindicerv tem um estande no evento, compartilhado com Aprolúpulo, Abracerva e Abralatas.  

    A cidade, que é a Capital Brasileira da Cerveja pela Lei Federal 13.418/2017, reunirá entre 12 e 15 de março centenas de visitantes, produtores e especialistas do mundo todo para celebrar a cultura cervejeira, promover negócios e apresentar tendências. Em paralelo, ocorrem competições, palestras e exposições que fortalecem a troca de conhecimento e o networking na cadeia produtiva. São, ao todo, seis eventos na programação, atraindo visitantes ao Parque Vila Germânica. Em 2025 o festival comemora 20 anos da sua primeira edição.