CNA anuncia vencedores do Prêmio Brasil Artesanal 2024

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) anunciou, na noite de terça-feira (12/11), as melhores cervejas artesanais que concorreram ao Prêmio CNA Brasil Artesanal 2024. O concurso premiou cinco cervejas nas categorias Ale (alta fermentação) e outras cinco na Lager (baixa fermentação).

O concurso é realizado em parceria com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Sebrae, Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) e Papo de Sommeliere.

O presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, esteve presente ao evento e destacou a importância do agro para a indústria da cerveja. “A cerveja é o agro na garrafa – vamos do campo ao copo – desde a produção da cevada e do lúpulo até chegar na mesa do brasileiro. Esta é uma bebida que gera muito emprego e imposto. Ficamos muito felizes de ter feito parte do concurso e agradecemos muito a CNA por ter feito este trabalho”, destacou Maciel.

COMO FOI O PRÊMIO CNA BRASIL CERVEJA ARTESANAL

O edital do prêmio prevê duas categorias: Ale (alta fermentação) e Lager (baixa fermentação). Cada produtor de cerveja pôde inscrever dois rótulos, um em cada categoria, para participar da premiação.

De acordo com o regulamento, o concurso é voltado para o produtor com produção anual total de, no máximo, cinco milhões de litros, que tenha preenchido e assinado o Termo de Autodeclaração de volume de produção anual de cerveja.

As dez amostras selecionadas, cinco em cada categoria, vão receber certificados e prêmios. Os três primeiros vão ganhar também o Selo de Participação Ouro, Prata e Bronze.

A premiação é uma iniciativa do Programa Nacional de Alimentos Artesanais e Tradicionais da CNA. O objetivo é valorizar os pequenos e médios produtores rurais, com foco na profissionalização da atividade e na agregação de valor dos alimentos que produzem.

VENCEDORES NA CATEGORIA CERVEJA ALE

– José Macedo – Aratinga Fruit Beer – Ribeira do Pombal – BA
– Ricardo Lima – Aurora Goiaba Sour – Guarapuava – PR
– Silmara Andreatti – Weiss – Igrejinha – RS
– Paulo Dapper – Barley Wine – Novo Hamburgo – RS
– Tácio Montes – Seja Minha Luz – Brasília – DF

VENCEDORES NA CATEGORIA CERVEJA LAGER

– Alexandre Xerxenevsky – Galo Velho Cold IPA – São Paulo – SP
– José Marcos – Vemaguet 67 – Campos do Jordão – SP
– Silmara Ritter – Export – Igrejinha – RS
– Raphael Vieira – Chope Puro Malte Pilsen – Ubá – MG
– Patrícia Mercês – Colombina Cold Brew Lager – Aparecida de Goiânia -GO

Na WBA, Sindicerv defende reforma tributária alinhada a padrões internacionais

O presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, destacou nesta semana, em Genebra, o peso da indústria cervejeira brasileira na geração de empregos, crescimento econômico e arrecadação de impostos, além da importância da aprovação de uma reforma tributária alinhada com as melhores referências internacionais.

Márcio Maciel participou do encontro anual da WBA (World Brewing Alliance), a entidade que reúne as principais entidades cervejeiras regionais espalhadas pelos continentes.

O Sindicerv ocupou posição de destaque no evento, tendo sido convidado pela organização para falar para representantes de associações de várias partes do mundo. Em sua exposição, Maciel apontou números que mostram o impacto econômico e social da indústria cervejeira, que representa 2% do PIB brasileiro e emprega mais de 2,5 milhões de pessoas em toda a cadeia.

Também explicou aos participantes as principais bandeiras na reforma tributária: tributação progressiva baseada no teor alcoólico, além da importância de um regime de transição que evite a bitributação e de um tratamento diferenciado para os pequenos produtores, independentemente da bebida produzida. O consumo responsável foi outro tema em evidência na apresentação.

“Foi uma oportunidade única para troca de informações e de insighs fundamentais sobre o presente e o futuro de uma indústria forte globalmente e que faz parte das culturas regionais, com impactos econômicos muito expressivos para as localidades onde as cervejarias estão instaladas. Nosso setor é fonte de emprego e renda diretamente para a população onde são fabricadas as cervejas”, ressaltou.

Dentre os vários indicadores apresentados e discutidos, o crescimento das opções e do mercado de cerveja sem álcool e com baixo teor alcoólico foi um dos destaques, inclusive no Brasil A reunião da WBA ocorreu de segunda a quarta-feira (30).

Em audiência no Senado, Sindicerv defende tributação diferenciada de bebidas alcoólicas

O presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Maciel, defendeu nesta quarta-feira (9/10), no Senado Federal, as principais bandeiras do setor na regulamentação da reforma tributária, como a progressividade do imposto seletivo de acordo com o teor alcoólico das bebidas.

Maciel foi um dos expositores na audiência pública promovida pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Durante sua fala, Maciel destacou também os desafios enfrentados pela indústria cervejeira, especialmente em relação à elevada carga de impostos incidentes sobre o produto – que chega a 56% para o consumidor final.

Segundo dados de pesquisa do Instituto Locomotiva exibida pelo presidente-executivo do Sindicerv, 7 em cada 10 brasileiros já consideram que a cerveja paga uma carga tributária elevada.

Ao explicar as bandeiras do setor na reforma, Márcio Maciel foi taxativo: “Produtos diferentes precisam ter tratamento diferenciado”, ressaltou, ao lembrar que essa prática segue as melhores práticas internacionais. A tributação progressiva de acordo com o teor alcoólico é recomendada por organismos internacionais como OMS, OCDE, FMI e Banco Mundial, ressaltou.

Também são propostas do setor cervejeiro um regulamentação que evite a bitributação durante o período de transição para o novo regime (2027-2032), com consequente aumento de carga, e um tratamento diferenciado para os pequenos produtores.

Em sua fala, destacou ainda a importância de uma política tributária mais equilibrada, que leve em conta a relevância econômica e social da indústria de bebidas no Brasil, responsável por gerar milhares de empregos diretos e indiretos.

Sindicerv e Firjan SENAI proporcionam evento técnico sobre cerveja para disseminar conhecimento

Foto: Vinícius Magalhães

Levar conhecimento técnico para a indústria e ajudar a fomentar toda a cadeia de cerveja foi o que motivou a Firjan SENAI a reunir profissionais do setor no Workshop de Harmonização com Cerveja, em parceria com o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).

O evento, que incluiu harmonização da bebida com alimentos, ocorreu na última terça-feira (1/10), no Centro de Referência em Alimentos, Bebidas e Panificação da Firjan SENAI SESI Tijuca. A iniciativa também possibilitou networking entre os diversos profissionais, como donos de bar e restaurante, cervejeiros e sommeliers.

Foto: Vinicius Magalhães

Bruno Thomé, gerente de Relações Governamentais do Sindicerv, reiterou a importância do workshop para a interação entre profissionais do setor, que possui 1.847 cervejarias no país. Em sua apresentação, Thomé fez questão de informar que no Brasil hoje essa indústria gera 2,5 milhões de empregos diretos e indiretos e representa cerca de 2% do PIB nacional. O Sindicerv representa 85% da indústria de cerveja nacional.

“Nós somos o terceiro maior produtor de cerveja do mundo – perdemos apenas para a China e os Estados Unidos. O crescimento é resultado de todas as políticas que nós temos feito para a longa cadeia de cerveja, que vai do campo ao brinde”, acentuou Bruno.

A jornada sensorial no Rio de Janeiro proporcionou aprendizados e uma experiência única aos participantes sobre a arte cervejeira. Produzido por alunos do Senai, o cardápio combinou com as cervejas produzidas por associadas ao Sindicerv, em uma noite de troca de conhecimento e de integração entre setores.

(com informações da Firjan/foto: Vinícius Magalhães)

Sindicerv tem mais uma filiada: a cervejaria catarinense Stannis

A Stannis é a mais nova filiada ao Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). Fundada em 2013, a cervejaria está sediada em Jaraguá do Sul (SC).

“Temos como missão institucional defender a indústria cervejeira em todos os cantos do país, e o ingresso da Stannis fortalece nossa presença regional. Desejamos boas-vindas e parabenizamos toda a equipe pelas premiações recentes que a cervejaria conquistou no exterior”, destacou o presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel.

Na última edição do World Beer Awards, realizada em agosto, a Stannis fez história ao conquistar 16 medalhas. Foi a cervejaria mais premiada do Brasil na edição de 2024. Além disso, a “Goddess Calíope” recebeu o título de melhor do mundo no estilo Sour & Wild Beer Lambic.

Além da produção de cerveja, a Stannis tem bares próprios e franquias, oferece software de gestão de bares e restaurantes e atua como promotora de eventos em Santa Catarina, aliando o consumo responsável do produto à cultura, música e arte.

Agora a Stannis se junta ao quadro de associados do Sindicerv, composto por Ambev, Heineken, Hocus Pocus, Louvada, Therezópolis, Colombina, Philipeia e Inbepa – sendo que quatro dessas se filiaram ao sindicato em 2024, totalizando cinco adesões neste ano. Juntas, essas cervejarias respondem por mais de 85% da produção no Brasil.

Cerveja é sinônimo de celebração e relaxamento para brasileiros, aponta pesquisa

Celebrado em mais de 50 países nesta sexta-feira (2), o Dia Internacional da Cerveja tem um significado especial no Brasil, onde a popular bebida tem forte presença nos momentos de celebração e de descontração. Essa sensação não é percebida apenas nas festas, bares, churrascos, jogos esportivos e nas mais diversas ocasiões sociais, mas também confirmada pelos números, como mostra pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva.

Foram ouvidos brasileiros das mais diversas regiões, faixas etárias, raças, classes sociais e escolaridade. O levantamento destaca o papel agregador da cerveja, presente à maioria das festas e comemorações dos brasileiros. Para 85% dos entrevistados, compartilhar uma cerveja com os amigos é parte da cultura da população. Dentre os que tem essa percepção, 93% consomem cerveja, aponta a pesquisa.

Para os brasileiros, o excesso de uso de redes sociais e a falta de situações de convívio social são um problema, e momentos de relaxamento com amigos são vistos como importantes. Para 93%, as pessoas passam tempo demais entretidas nessas mídias e dedicam pouco tempo para encontros reais. E para 95% dos entrevistados, é importante para a saúde mental ter momentos de relaxamento encontrando pessoas queridas.

Neste aspecto, a cerveja tem protagonismo e costuma fazer parte de muitas dessas situações de descontração dos brasileiros: 88% afirmam que esta é a bebida mais comum presente nessas ocasiões. Ainda segundo o estudo, 7 em cada 10 brasileiros gostariam de ter mais momentos em seu cotidiano para tomar uma cerveja com pessoas queridas e 77% consideram que sair para beber uma cerveja com amigos é melhor para a saúde mental do que ficar horas usando redes sociais.

“Os dados da pesquisa mostram como a cerveja é uma paixão nacional, com cada vez mais opções à disposição dos consumidores. No Brasil, passamos de degustadores de bebidas importadas para exportadores internacionalmente reconhecidos pela qualidade. Produzimos cada vez mais, melhor e com mais diversidade de sabores, texturas e até teores alcoólicos, mostrando que a inovação está no nosso DNA”, destaca o presidente-executivo no Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Maciel.

A pesquisa ouviu 2.050 pessoas com mais de 18 anos em todo o país, com margem de erro de 2,1 pontos percentuais. A amostra foi ponderada conforme parâmetros da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), de 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

NÚMEROS EXPRESSIVOS

No Brasil, a indústria cervejeira gera 2,5 milhões em empregos diretos e indiretos, movimentando uma cadeia produtiva que se estende desde o agronegócio até o consumo do produto pelas famílias. Os dados do setor são robustos: R$ 27 bilhões em salários, mais de R$ 50 bilhões em impostos por ano e 60,3 mil marcas registradas de cerveja no Ministério da Agricultura e Pecuária.

De acordo com a última edição do Anuário da Cerveja, existem 1.847 cervejarias registradas no Brasil, com presença em 771 municípios brasileiros. Noventa por cento do valor agregado produzido pelas cervejarias ficam na localidade em que elas se encontram, proporcionando mais do que lazer e celebração, mas também emprego e renda para a população local.

Artigo: Imposto seletivo com diferenciação é essencial para reduzir o uso nocivo do álcool

Márcio Maciel e Justin Kissinger (*)

Em todo o mundo, os responsáveis pela formulação de políticas públicas têm como um dos objetivos a redução do uso nocivo do álcool – uma meta vital, com a qual a indústria cervejeira também concorda. Uma ferramenta de que os governos dispõem para atingir essa meta é o imposto seletivo.

No entanto, a maneira como essa ferramenta é usada pode fomentar ou sabotar estratégias de redução de danos. Quando estratégias políticas, como taxas de imposto seletivo e controles sobre disponibilidade e marketing, são ajustadas de acordo com o tipo e a concentração da bebida, a produção e o consumo de bebidas com menor teor alcoólico são incentivados, o que pode ajudar a reduzir os danos relacionados ao álcool à população.

Esse resultado vem de um fenômeno chamado “efeito de substituição”, quando os consumidores que optam por beber álcool substituem produtos com maior teor alcoólico por opções com menor teor alcoólico. Esse efeito pode se dar pela troca de bebida destilada por cerveja ou, ainda, de uma cerveja com teor alcoólico normal por uma com menor teor alcoólico ou sem álcool. Quando esse efeito de substituição acontece, o consumo geral de etanol diminui, e vários indicadores de saúde pública melhoram.

Isso não é apenas uma teoria, mas um fenômeno observado empiricamente. Em 2019, a Organização Mundial de Saúde (OMS) relatou uma mudança bem-sucedida para o consumo de bebidas com teor alcoólico mais baixo na Rússia e como essa mudança implicou uma melhoria relacionada à saúde pública daquele país. Além disso, a OMS observou que mudanças para consumo “de bebidas alcoólicas mais leves” nos países nórdicos e do Leste Europeu “levaram a resultados favoráveis em danos atribuíveis ao álcool”.

Pesquisas recentes no Reino Unido e na Espanha sugerem que a disponibilidade de cervejas com teor alcoólico mais baixo ou sem teor alcoólico levou os consumidores a substituírem parte do consumo de cerveja regular por alternativas com teor alcoólico mais baixo, resultando em menos álcool consumido no geral.

Embora o imposto seletivo possa ser cobrado com base no valor do produto, volume de líquido ou teor alcoólico, a tributação com base no tipo de bebida e teor alcoólico é a melhor maneira de promover o efeito de substituição. Essa estrutura tributária baseada em evidências desencoraja a produção e o consumo de bebidas com alto teor alcoólico e incentiva a produção e o consumo de opções com baixo teor alcoólico.

A OMS concorda. Em um relatório sobre preços na região europeia, a OMS explicou: “A abordagem mais eficaz para a tributação com vistas a melhorar a saúde pública e reduzir esse dano é tributar o volume de álcool por meio de um sistema específico de tributação. Esse sistema pode ser mais eficaz para melhorar a saúde se tiver taxas de tributação mais altas para produtos mais fortes por dois motivos: primeiro, os bebedores podem consumir um volume maior de álcool mais rapidamente por meio de produtos mais fortes; e, segundo, os custos de produção e distribuição podem ser menores, pelo

menos em alguns casos, para produtos mais fortes, o que significa que o mesmo volume de álcool pode ser vendido mais barato em produtos com maior teor alcoólico, mesmo com a mesma taxa de imposto específico”.

É uma prática comum, na maioria dos países mais avançados no tema, tributar de acordo com o tipo e a concentração da bebida. Mais de 40 países usam esse modelo, incluindo México, Alemanha e Estados Unidos.

A maioria dos membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aplica uma taxa de imposto seletivo mais baixa à cerveja do que às bebidas destiladas, e muitos reduziram progressivamente as taxas para cervejas com baixo teor alcoólico ou sem álcool.

No ano passado, o Reino Unido reformou sua estrutura de impostos sobre o álcool para torná-la mais simples e economicamente racional. Sob o novo sistema, todas as categorias são tributadas com base na concentração do álcool, com produtos com maior concentração pagando mais impostos por unidade de álcool do que produtos com menor concentração.

O então chanceler Rishi Sunak resumiu as mudanças: “Nosso novo sistema será projetado em torno de um princípio de senso comum: quanto mais forte a bebida, maior a taxa. Essa é a coisa certa a fazer, e ajudará a acabar com a era de bebidas baratas e de alto teor alcoólico que podem prejudicar a saúde pública e permitir o consumo problemático de álcool”.

O Brasil está atualmente trabalhando na regulamentação de uma importante reforma tributária, que engloba os impostos sobre as bebidas alcoólicas. É crucial que os parlamentares brasileiros sigam as melhores práticas globais para a formulação de políticas baseadas em evidências e adotem a diferenciação com base no tipo e na intensidade da bebida.

Embora a cerveja normalmente já tenha o menor teor alcoólico em volume na categoria, a indústria cervejeira tem trabalhado para incentivar ainda mais o efeito de substituição, investindo na produção de cervejas com baixo teor alcoólico ou sem álcool. São importantes investimentos em novos equipamentos, processos e marketing para desenvolver e promover esses produtos.

O imposto seletivo pode dar suporte a essa categoria nascente porque, quando taxas de impostos mais baixas são aplicadas a bebidas com baixo teor alcoólico, isso incentiva os produtores a continuarem desenvolvendo esses produtos e estimula os consumidores a experimentarem novas opções.

Por exemplo, quando a União Europeia reduziu as taxas para cervejas de menor teor alcoólico, foi observado que a mudança “fornece incentivos para que os consumidores escolham bebidas alcoólicas de menor teor alcoólico em vez de mais fortes, reduzindo assim a ingestão de álcool. Também incentiva os cervejeiros a serem inovadores e a criar novos produtos de menor teor alcoólico”.

O mundo está em um momento único, no qual as políticas de saúde pública, a demanda do consumidor e as metas comerciais da indústria cervejeira estão se cruzando para impulsionar a aceitação de produtos com menor teor alcoólico ou sem álcool e atender às metas globais de saúde pública.

Os criadores e executores de políticas públicas – no Brasil e em outros países – devem aproveitar essa oportunidade para incentivar os consumidores a escolherem menos álcool por meio de políticas inteligentes e baseadas em evidências.

(*) SÃO, RESPECTIVAMENTE, PRESIDENTE-EXECUTIVO DO SINDICATO NACIONAL DA INDÚSTRIA DA CERVEJA (SINDICERV); E PRESIDENTE E CEO DA WORLD BREWING ALLIANCE (WBA). ARTIGO PUBLICADO ORIGINALMENTE NO WEBSITE DO JORNAL “O ESTADO DE S.PAULO” EM 18/07/24.

Confira a íntegra da entrevista exclusiva do presidente-executivo do Sindicerv à “Istoé Dinheiro”

A reforma tributária tem sido um dos temas mais discutidos no cenário econômico brasileiro. Com uma presença marcante em todos o país, o setor cervejeiro vem acompanhando de perto as discussões sobre o tema. O segmento enfrenta desafios diários com a complexidade do sistema tributário atual.

Em entrevista exclusiva a Allan Ravagnani publicada na edição desta semana da “Istoé Dinheiro”, o presidente-executivo do Sindicerv, Márcio Maciel, explica em detalhes as principais preocupações e propostas para a reforma. Confira a íntegra: 

DINHEIRO — Quais são os pontos de maior preocupação do setor nas discussões da Reforma Tributária?

MÁRCIO MACIEL — Primeiro é importante ressaltar que nós defendemos a Reforma Tributária e a simplificação dos impostos. Para se ter uma ideia, nosso setor está presente em todos os municípios e nos 27 estados do País. Isso significa que eu tenho que lidar com 27 ICMS diferentes, nós vivemos isso no dia a dia, então qualquer mudança que traga racionalidade para o sistema, menos custo de compliance tributário, que é altamente ineficiente, nós apoiaremos. Temos uma associada, uma grande cervejaria, que em seu departamento de tributos tem três vezes mais gente empregada do que no departamento de inovação e marketing. Era para ser ao contrário. Mas respondendo a sua pergunta, o que a gente defende é uma simplificação e uma garantia de que não aumentem os impostos. Não estamos pedindo para diminuir, para colocar cerveja como item da cesta básica. Apenas que haja um desenho que permita e garanta que não haverá aumento de carga tributária.

DINHEIRO – E quais são as mudanças que o setor defende?

MÁRCIO MACIEL — São três as mudanças defendidas pelo setor cervejeiro: a primeira delas é a incidência do imposto seletivo conforme o conteúdo alcoólico da bebida, de maneira progressiva, permitindo a diferenciação entre bebidas de acordo com a nocividade de cada uma, em consonância com as melhores práticas internacionais. Ou seja, bebida com maior teor alcóolico paga maior imposto seletivo, que é um imposto feito para inibir o consumo de produtos que fazem mal à saúde. A segunda é a necessidade de um mecanismo para que não haja dupla cobrança durante o período de transição para o novo regime tributário. O IVA vai substituir o ICMS, mas ao longo de cinco anos (entre 2027 e 2032) o IVA e o ICMS vão coexistir, então o nosso medo é que haja uma cobrança dos dois (ICMS e IVA), a bitributação. E, por fim, a necessidade de um tratamento especial para pequenos produtores, que precisam estar fora do imposto seletivo para garantir o crescimento contínuo e sustentável de seus negócios.

DINHEIRO – Mas o atual imposto seletivo, o IPI,já faz essa diferenciação de cobrança por teor alcóolico, não faz?

MÁRCIO MACIEL — Sim, atualmente é assim. Essa é a lógica no Brasil, o IPI faz isso, tributa cerveja em 3,9%, vinho em 8%, vodca em 17%, e por aí vai. O IPI tributa o produto, mas o imposto do pecado vai tributar o álcool. Ele é um imposto regulatório para mudar comportamentos. Eles querem tributar para desencorajar, então é para tributar mais quem faz mais mal para a saúde. Isso tem seu lado ruim para o consumidor, que vai ter o produto mais caro. No entanto, estimula a inovação. Na cerveja, por exemplo, criaram a cerveja zero. Se eu pago mais mais funcionários trabalhando com para fazer produto com tributos do que nas áreas de inovação mais álcool, vou querer e marketing. Era para ser o contrário inovar cada vez mais para ter produtos com menos álcool.

DINHEIRO – E quem está contra essa medida de taxação progressiva?

MÁRCIO MACIEL — Os importadores de destilados estão contra a gente nesse pedido. Eles falam que “álcool é álcool” e pedem isonomia na cobrança. Mas a gente acredita que não pode haver isso, pois são produtos diferentes, não dá pra ter isonomia. O setor cervejeiro paga impostos, gera 2,5 milhões de empregos, enquanto entre os destilados não existe uma produção massiva no Brasil, e mesmo assim eles querem pagar uma alíquota igual de quem produz e faz produtos de menor teor alcoólico. Isso não funciona em nenhum lugar do mundo, indo inclusive contra as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

DINHEIRO – Quais são as melhores práticas internacionais?

MÁRCIO MACIEL — São justamente as que Brasil adota hoje, De taxar mais os produtos mais nocivos à saúde. Esse é o modelo padrão internacional, recomendado por todos os órgãos de saúde. Criar um modelo inusitado, cobrando impostos iguais para bebidas difierentes, terá impactos pesados na saúde pública. A saúde deve vir sempre em primeiro lugar. Para você ver, o México, que é o país da Tequila, adota esse modelo, os Estados Unidos, do Bourbon, também, assim como Reino Unido, Rússia, inclusive. A Rússia é um caso de sucesso, quando eles adotaram esse modelo progressivo, no final dos anos 90, houve uma redução de mortes causadas por intoxicação com álcool de 100mil para 30 mil ao ano.

DINHEIRO – Quais são os maiores riscos caso haja uma elevação nos impostos da cerveja?

MÁRCIO MACIEL — A gente não tem esse número exato, estamos testando várias alíquotas. Os estudos de impacto ainda  estão em andamento, mas não vamos falar de fechamento de fábricas ou de demissões por enquanto. Vamos falar de investimentos. Aumentar a carga tributária vai afastar investimentos no setor. A Heineken está construindo sua fábrica mais tecnológica do mundo em Passos (MG), é o maior investimento do mundo da Heineken. É disso que falamos, as empresas precisam se planejar, e um cenário de incertezas afasta novos investimentos, ou pelo menos os adia. Além disso, estamos no limite dos impostos, o setor já está muito próximo à “curva de Laffer” de tributação, que mede a relação entre a alíquota cobrada e a capacidade de arrecadação do tributo. Ou seja, o modelo demonstra haver um limite para aumentar o imposto gerando crescimento da arrecadação. Vários estados elevaram o ICMS recentemente, então com certeza deverá haver revisão de investimentos por parte das grandes empresas.

DINHEIRO – As grandes cervejarias já não repassam o aumento dos custos ao consumidor?

MÁRCIO MACIEL — Repassar o aumento para o consumidor ou não faz parte da estratégia comercial de cada empresa, mas o que eu posso dizer é que as cervejarias brasileiras fazem tudo o que for possível para não aumentar o preço, pois são mais de 60 mil marcas de cervejas no País. E um mercado muito competitivo, no qual o consumidor é muito sensível ao preço. As companhias fazem malabarismo para tentar comprimir as margens e evitar repassar o custo ao consumidor. Para se ter uma ideia, durante a pandemia de Covid-19, 70% dos aumentos de custos das cervejas foram absorvidos pelas empresas, não foram repassados. Foi absorvido com muito custo, e o limite para esse tipo de ação está cada vez mais estreito.

DINHEIRO – Mas a venda aumentou na pandemia…

MÁRCIO MACIEL — Sim, o volume de produção e as vendas aumentaram. De fato, teve uma transferência do consumo nos bares para o consumo em casa, com as compras feitas em supermercados, além das vendas diretas e deliveries que bombaram. Mas o brasileiro adora um bar, é um lugar que o consumidor gosta muito, e está havendo uma tendência crescente de retomada do consumo nos bares.

DINHEIRO – E as pequenas cervejarias?

MÁRCIO MACIEL – Pergunta importante. Sobre as pequenas, o Sindicerv tem muitas pequenas associadas, mas a associação principal desse segmento é a Abracerva, que trabalha conosco em muitos casos, e eles dizem que se houver qualquer aumento de impostos, as pequenas cervejarias correm o risco de fechar as portas. Então elas podem estar em risco sim, mas a gente só vai saber disso exatamente quando o desenho do Projeto de Lei Complementar que vai taxar o setor estiver pronto, talvez no segundo semestre ou no início de 2025. Para se ter uma ideia, 77% dos entrevistados de pesquisa recente do Guia da Cerveja apontaram que a carga tributária elevada é o principal desafio enfrentado pelos produtores. Então a gente defende que haja uma isenção do imposto seletivo para essas pequenas produtoras, ou ao menos que elas tenham um tratamento diferenciado, faixas de cobrança diferenciadas. Por exemplo, quanto menor for a produção, maior o desconto do imposto seletivo. Aí o imposto teria várias faixas de desconto de acordo com a produção, e quando chegar a cinco milhões de litros por ano, já pode  cobrar 100% da alíquota, E isso não é uma invenção minha ou das associações. É ima diretriz da União Europeia. Eles praticam esse modelo no qual quem é pequeno tem um tratamento diferenciado, é assim na Bélgica, na Alemanha, grandes países cervejeiros.

DINHEIRO – O que mudou na indústria brasileira nas últimas décadas?

MÁRCIO MACIEL  — O Brasil avançou muito quando se fala de cerveja. Saímos do papel de meros apreciadores para nos tornarmos maio res do que a Europa em número de mar cas registradas: mais de 60 mil. Passamos de degustadores de bebidas importada para exportadores internacionalmente reconhecidos pela qualidade. Produzimos cada vez mais, melhor e com mais diversidade de sabores, texturas e até teores alcoólicos, mostrando que a inovação está no nosso DNA. A cerveja em si não nasceu no Brasil, mas a cada ano o Brasil transforma e inova na forma de fazer cerveja. Que ao final da reforma tributária possamos celebrar decisões sintonizadas com o que há de melhor em experiências internacionais, sem jabuticabas que podem provocar consequências desastrosas para toda a cadeia produtiva.

Sindicerv elege nova diretoria e conselhos

Em assembleia geral extraordinária realizada na última sexta-feira (28), foram eleitos os novos integrantes da diretoria, conselho de administração e conselho fiscal do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv).

Com mandato de três anos, a nova diretoria é composta por Rodrigo Moccia, Larissa Menezes, Maria Fernanda Chaves Cunha e João Marcelo de Castro. Diretor de Relações Institucional da Ambev, Moccia foi eleito diretor-presidente.

Formado em Administração Pública pela FGV/EAESP e com especialização em políticas públicas pela Georgetown University, em Washington DC, e com MBA executivo no Insper, Moccia está na Ambev há mais de 13 anos.

O administrador substitui Mauro Homem, que presidirá o conselho de administração. Márcio Maciel segue à frente da presidência-executiva, posto que ocupa desde janeiro de 2023.

Além de Mauro Homem, o novo conselho de administração é composto por Roberta Bordini, Carla Crippa, Eduardo Paoli, Marina Ferreira e Vivan Rodrigues. Por sua vez, integram o conselho fiscal Antônio Frota, Flávio Galiano, Tiago Pereira e Ana Claudia Couto.

SAIBA MAIS

Fundado em 1948, o Sindicerv representa as empresas responsáveis por mais 85% da produção de cerveja no Brasil – setor que contribui com, aproximadamente, R$ 50 bilhões em geração de impostos por ano em toda a cadeia produtivo (2% do PIB nacional) e que emprega mais de 2,5 milhões de pessoas, entre colaboradores diretos, indiretos e induzidos.

A entidade tem como objetivos principais estudar, defender e coordenar os assuntos comuns à categoria e adotar medidas em defesa de suas associadas perante os poderes públicos (Federal, Estaduais e Municipais), organizações privadas em geral e a sociedade civil. Sobretudo, atua continuamente para o debate de regulamentos, leis, normas, políticas públicas e práticas que contemplem a evolução e o desenvolvimento da indústria nacional da cerveja e suas respectivas cadeias produtivas.

Em audiência pública na Câmara, Sindicerv defende reforma tributária “padrão OCDE”

Na última segunda-feira (24/6), a Câmara dos Deputados recebeu, em audiência pública, representantes de setores enquadrados no imposto seletivo. O deputado Luiz Gastão (PSD-CE), que integra o Grupo de Trabalho da Reforma Tributária, presidiu a mesa que, na primeira rodada, teve a participação do presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), Márcio Maciel.

Ele chamou a atenção para a alta carga tributária incidente sobre o setor, destacou os números robustos da indústria da cerveja no Brasil, o trabalho desenvolvido em prol do consumo responsável e fez uma defesa enfática das bandeiras na reforma.

“Se quisermos uma reforma de fato padrão OCDE, que a gente adote este caminho”, ressaltou. Além da diferenciação da tributação por teor alcoólico – ou seja, as bebidas mais alcoólicas pagam mais tributo, o setor também cobra um mecanismo de transição para evitar dupla tributação e isenção do imposto seletivo para micro e pequenos produtores.

Em relação à carga tributária do setor, Maciel afirmou: “A gente lida com 27 legislações de ICMS. Somos um dos setores que enfrentam muito a realidade tributária complexa que o Brasil tem e um dos setores que mais pagam imposto, mais de R$ 50 bilhões ao ano, com as mais de 1.800 cervejarias pelo país”, disse.

“Para combater consumo nocivo, é preciso que a tributação seja feita com base no teor alcoólico das bebidas de forma progressiva”, completou. Entre os pleitos do setor, está a isenção do imposto seletivo para as empresas enquadradas no Simples, independentemente da bebida produzida. A necessidade de um mecanismo de transição para evitar dupla tributação é outra bandeira defendida.

O tributarista Heleno Torres foi um dos participantes da audiência e ratificou a exposição feita por Maciel: “Bebidas com maior teor alcoólico podem levar a níveis mais altos de intoxicação se consumidas em grandes quantidades”. Para ilustrar, Torres citou o caso da Rússia, onde a taxação por teor alcoólico teve resultados positivos.

Já o advogado Breno Vasconcelos, pesquisador do Instituto de Ensino e Pesquisa (INSPER), saiu em defesa de alíquota progressiva em razão do teor alcoólico no imposto seletivo. Mencionou recomendações da OMS e do FMI neste sentido e países onde esta prática é adotada, como México, EUA e vários países da União Europeia. “Isso tudo não é escolha de burocrata, mas sim em diversas evidências empíricas”, apontou. Breno trouxe diversos estudos e fontes para a sua apresentação na audiência pública.